Pular para o conteúdo

Planilhas prontas para editar, imprimir e exportar para Excel, Word e PDF

Investimentos

Planilha de Magic Formula: classifique ações por valor

A planilha de Magic Formula reúne os indicadores earnings yield e retorno sobre capital para criar um ranking comparável de ações. Preencha dados financeiros, confira a pontuação total e use o resultado como apoio disciplinado à sua análise de investimentos.

Por Stefano Barcellos 10 min de leitura
Planilha de Magic Formula: classifique ações por valor

A planilha de magic formula ajuda a organizar uma estratégia de seleção de ações baseada em dois indicadores: o earnings yield e o retorno sobre o capital empregado. Ela transforma dados financeiros em um ranking objetivo, facilitando a comparação entre empresas que atuam em setores semelhantes e têm portes diferentes.

O resultado não deve ser entendido como recomendação automática de compra. A planilha funciona como um filtro inicial para identificar companhias que merecem uma análise mais profunda, considerando qualidade do negócio, endividamento, liquidez, governança, riscos setoriais e o seu próprio perfil de investidor.

O que é a Magic Formula e para que serve

A Magic Formula é uma abordagem de investimento em valor popularizada pelo investidor e professor Joel Greenblatt. A ideia central é procurar empresas que combinem preço relativamente atrativo com boa capacidade de gerar resultado a partir do capital empregado na operação.

Para isso, a metodologia combina dois critérios. O primeiro mede o retorno potencial em relação ao valor da empresa; o segundo procura indicar eficiência operacional. Depois de calcular os indicadores, cada empresa recebe posições nos rankings individuais e uma pontuação combinada. Em geral, quanto menor for a soma das posições, melhor será a colocação no filtro.

Na prática, a planilha reduz o trabalho repetitivo de comparar demonstrativos, calcular proporções e ordenar informações. Ela também cria um registro claro das premissas usadas em cada análise, algo importante para revisar decisões no futuro.

“Preço é o que você paga; valor é o que você recebe.”

Warren Buffett

Os dois indicadores usados no ranking

Earnings yield

O earnings yield, ou rendimento do lucro, relaciona o resultado operacional ao valor da empresa. Uma forma comum de calculá-lo na Magic Formula é dividir o EBIT pelo Enterprise Value (EV). Em termos simples, o indicador procura mostrar quanto resultado operacional a companhia gera em relação ao valor necessário para adquiri-la, considerando também sua estrutura de dívida.

Na planilha, um earnings yield mais alto tende a receber uma posição melhor. Porém, um número elevado pode decorrer de uma queda temporária no preço da ação, de lucros extraordinários ou de riscos relevantes. Por isso, é essencial verificar se o EBIT utilizado representa uma operação recorrente.

Retorno sobre capital empregado

O retorno sobre capital empregado relaciona o EBIT ao capital necessário para manter a atividade operacional. Na abordagem tradicional da estratégia, o denominador considera capital de giro líquido mais ativos fixos líquidos. A finalidade é observar a qualidade econômica do negócio, isto é, sua capacidade de gerar resultado sem exigir capital excessivo.

Empresas eficientes frequentemente conseguem reinvestir com bons retornos. Ainda assim, compare negócios parecidos. Bancos, seguradoras e outras instituições financeiras têm balanços e métricas próprias, o que pode tornar a aplicação direta desses cálculos menos adequada.

Como interpretar os dados antes de preencher

Antes de lançar os números, defina uma regra consistente para todas as empresas avaliadas. Use demonstrativos do mesmo período, prefira valores consolidados quando esse for o padrão da sua análise e anote eventuais ajustes relevantes. Misturar períodos diferentes reduz a utilidade do ranking.

O EBIT é o lucro antes do resultado financeiro e dos tributos. O Enterprise Value normalmente parte do valor de mercado e incorpora dívida líquida, mas a composição pode variar conforme a fonte de dados. O capital empregado, por sua vez, exige atenção aos componentes operacionais e aos ativos utilizados para gerar receita.

  • Evite comparar empresas de setores com modelos econômicos muito distintos.
  • Verifique se houve itens não recorrentes que distorçam o EBIT.
  • Confira se a dívida e o caixa usados no EV são da mesma data-base.
  • Analise a liquidez das ações antes de considerar qualquer operação.
  • Registre a fonte e o período de cada dado preenchido.

Para conhecer informações divulgadas pelas companhias e acompanhar o mercado, consulte a área de conteúdos e orientações da Comissão de Valores Mobiliários. Relatórios financeiros, comunicados e formulários das empresas são insumos importantes para validar os cálculos.

Como usar a planilha

  1. Abra o documento e preencha a tabela de identificação com seu objetivo, período analisado e fonte dos dados.
  2. Na aba de ranking, informe o ticker, o EBIT, o Enterprise Value e o capital empregado de cada empresa.
  3. Confira os percentuais calculados para earnings yield e retorno sobre capital. Se houver resultado incoerente, revise as células de entrada antes de seguir.
  4. Defina as posições de cada indicador: posição 1 para a melhor empresa em cada critério, posição 2 para a seguinte e assim por diante.
  5. Observe a pontuação total. A menor soma indica a melhor classificação dentro da sua lista analisada.
  6. Use a aba de alocação apenas depois da análise qualitativa e informe o peso desejado, o capital disponível e o valor atual em carteira.
  7. Para adaptar nomes, linhas e premissas, clique no botão Editar. Depois, se necessário, faça a exportação para Excel, Word e PDF para arquivar, compartilhar ou imprimir.

Se quiser melhorar a organização dos cálculos, os recursos de fórmulas e preenchimento automático do suporte oficial do Microsoft Excel podem ajudar a ajustar uma cópia da planilha sem alterar a lógica do ranking.

Exemplo prático de classificação

Imagine seis empresas não financeiras previamente selecionadas. A Empresa Alfa apresenta EBIT de R$ 12,4 bilhões, Enterprise Value de R$ 180 bilhões e capital empregado de R$ 95 bilhões. Seu earnings yield é de aproximadamente 6,89%, enquanto o retorno sobre capital fica em cerca de 13,05%.

Suponha que Alfa ocupe a segunda posição em earnings yield e a terceira em retorno sobre capital. Sua pontuação total será 5. Já uma Empresa Beta pode ter a maior eficiência operacional, mas um preço menos atraente, ficando em quarto no primeiro critério e primeiro no segundo; sua soma também será 5. Nesse caso, a pontuação empata, e a decisão exige análise adicional.

EmpresaEarnings yieldPosição EYRetorno sobre capitalPosição ROCPontuação total
Alfa6,89%213,05%35
Beta5,60%417,40%15
Gama8,10%110,20%56
Delta6,20%314,80%25

O exemplo mostra por que o ranking não substitui julgamento. Três empresas podem chegar à mesma pontuação por combinações diferentes de preço e qualidade. Compare margens, previsibilidade dos resultados, necessidade de reinvestimento, concentração de clientes, ciclo do setor e riscos específicos antes de criar ou ampliar uma posição.

Planilha pronta para editar e baixar

Clique em Editar para alterar textos e valores direto no documento. Os campos em azul são calculados automaticamente. Depois, imprima ou exporte para Excel, Word ou PDF.

Planilha de Magic Formula

Ranking de ações por earnings yield e retorno sobre capital

CampoPreenchimento
Objetivo da análiseSelecionar ações para estudo
Período dos dadosÚltimos 12 meses
Mercado analisadoAções brasileiras
Fonte principalDemonstrativos financeiros e cotações

Ranking de Empresas

TickerEBITEnterprise ValueEarnings YieldCapital EmpregadoRetorno sobre CapitalPosição EYPosição ROCPontuação Total
ALFA3R$ 12.400.000.000,00R$ 180.000.000.000,00R$ 95.000.000.000,0023
BETA3R$ 8.400.000.000,00R$ 150.000.000.000,00R$ 48.275.862.068,9741
GAMA3R$ 6.480.000.000,00R$ 80.000.000.000,00R$ 63.529.411.764,7115
DELTA3R$ 9.300.000.000,00R$ 150.000.000.000,00R$ 62.837.837.837,8432
ÉPSILON3R$ 5.500.000.000,00R$ 110.000.000.000,00R$ 55.000.000.000,0054
ZETA3R$ 4.200.000.000,00R$ 105.000.000.000,00R$ 42.000.000.000,0066
Médias e totais

Alocação Indicativa

TickerPeso AlvoCapital DisponívelValor AlvoValor AtualAjuste NecessárioParticipação Alvo
ALFA325,00%R$ 50.000,00R$ 10.000,00
BETA325,00%R$ 50.000,00R$ 15.000,00
DELTA330,00%R$ 50.000,00R$ 8.500,00
Reserva20,00%R$ 50.000,00R$ 12.000,00
TotalR$ 50.000,00

Controle de Critérios

CritérioValor de ReferênciaValor ApuradoDiferença
Earnings yield mínimo5,00%6,89%
Retorno sobre capital mínimo10,00%13,05%
Pontuação máxima desejada65
Quantidade máxima de ativos104

Observações: Preencha os dados com valores do mesmo período e use critérios consistentes para todas as empresas. As posições de earnings yield e retorno sobre capital devem ser informadas manualmente após ordenar cada indicador do maior para o menor. A alocação é apenas um controle de estudo e deve respeitar sua estratégia, diversificação e tolerância a risco.

Responsável: ________________________________________     Data: ____/____/________

Modo visualização. Clique em Editar para personalizar a planilha.

Como complementar a análise de ações

A Magic Formula é mais útil quando faz parte de um processo. Depois de gerar a lista, aprofunde a avaliação das empresas mais bem posicionadas. Leia os relatórios divulgados, identifique a origem do lucro, acompanhe o histórico de geração de caixa e entenda como a administração aloca capital.

Uma planilha de análise fundamentalista pode complementar esse trabalho com indicadores de endividamento, margens, liquidez e crescimento. Para uma estimativa com premissas explícitas sobre fluxos futuros, também faz sentido usar uma planilha de fluxo de caixa descontado.

Outra etapa é definir limites de concentração. Mesmo negócios aparentemente excelentes podem enfrentar mudanças regulatórias, tecnológicas ou competitivas. Diversificar e rebalancear a carteira conforme uma regra previamente definida ajuda a evitar que uma única tese tenha peso excessivo no patrimônio.

Limitações da estratégia e cuidados necessários

Os indicadores são calculados a partir de dados contábeis e de mercado que mudam ao longo do tempo. Uma empresa pode parecer barata porque o mercado antecipa queda de resultados, perda de contratos, aumento de custos ou necessidade de investimentos elevados. O ranking detecta uma relação numérica, não explica sozinho a causa dela.

Setores financeiros, empresas muito alavancadas, holdings e companhias com resultados altamente cíclicos exigem adaptação ou podem ficar fora do universo comparável. Também vale atenção a empresas com baixa liquidez, pois custos de negociação e dificuldade para montar posição podem reduzir a aplicabilidade prática da estratégia.

Não use a planilha para tratar rentabilidade passada como garantia de retorno. A consistência vem de aplicar critérios claros, diversificar e revisar dados, não de perseguir um número isolado.

Erros comuns ao montar o ranking

Usar lucro líquido no lugar de EBIT

O lucro líquido é afetado por despesas financeiras, impostos e eventos não operacionais. A metodologia costuma buscar uma medida operacional para melhorar a comparabilidade. Trocar a métrica sem ajustar o restante da fórmula altera o sentido do indicador.

Misturar dados de fontes ou períodos distintos

Usar EBIT de um período e Enterprise Value de uma data distante pode gerar um percentual enganoso. Estabeleça uma data de corte e procure atualizar todos os dados sob o mesmo critério.

Confiar apenas na posição final

Uma classificação favorável não revela automaticamente riscos de governança, dependência de commodities, disputas judiciais ou mudanças estruturais. Leia as notas explicativas e pesquise a empresa antes de tomar decisões.

Ignorar impostos, custos e diversificação

Uma estratégia de ações envolve custos de corretagem quando aplicáveis, tributação conforme a operação e exposição a oscilações. Mantenha registros das compras e vendas e procure orientação profissional quando houver dúvidas tributárias ou patrimoniais.

Perguntas frequentes

A Magic Formula serve para qualquer tipo de empresa?

Não necessariamente. Ela costuma ser mais compreensível para empresas operacionais não financeiras, pois bancos, seguradoras e negócios com estrutura de capital específica podem exigir métricas diferentes. Compare sempre empresas com modelos semelhantes.

Quanto menor a pontuação, melhor é a ação?

Dentro do ranking criado, uma pontuação menor indica melhor combinação relativa entre os dois critérios. Isso não significa que a ação seja uma compra automática, pois o ranking não incorpora todos os riscos e perspectivas do negócio.

Posso usar dados trimestrais?

Sim, desde que use uma metodologia consistente. Muitos investidores preferem dados acumulados de períodos mais longos para reduzir efeitos sazonais e de eventos pontuais. O importante é aplicar o mesmo critério a toda a lista.

É necessário investir em todas as ações bem classificadas?

Não. A planilha é um instrumento de análise e organização. A quantidade de ativos, os pesos e o momento de investir dependem de objetivos, prazo, tolerância a risco e avaliação individual de cada empresa.

Referências

Vídeo: passo a passo

Assistir no YouTube

Continue explorando

Planilhas relacionadas

Planilha de controle de ouro: acompanhe sua posição
Investimentos

Planilha de controle de ouro: acompanhe sua posição

A planilha de controle de ouro ajuda a registrar cada compra e venda por grama, consolidar custos, acompanhar a cotação de referência e visualizar o resultado da posição. Use o modelo para manter seu histórico organizado e…

Abrir planilha

Planilha de dólar e câmbio: acompanhe variações
Investimentos

Planilha de dólar e câmbio: acompanhe variações

A planilha de dólar e câmbio ajuda a registrar cotações de compra e venda, calcular variações, converter valores em moeda estrangeira e visualizar o impacto do câmbio no orçamento ou nos investimentos. Use os campos editáveis…

Abrir planilha

planilha de inflação ipca: atualize valores e metas
Investimentos

planilha de inflação ipca: atualize valores e metas

A planilha de inflação ipca ajuda a registrar índices mensais, calcular a inflação acumulada e atualizar valores de referência. Com campos para cenário e comparação de rentabilidade real, ela facilita decisões de investimento…

Abrir planilha

Planilha de controle de proventos: acompanhe rendas
Investimentos

Planilha de controle de proventos: acompanhe rendas

A planilha de controle de proventos ajuda a registrar dividendos, juros sobre capital próprio, rendimentos de fundos e outros créditos recebidos. Visualize valores brutos, retenções, resultados líquidos e totais por período para…

Abrir planilha

Planilha de perfil de investidor: invista com clareza
Investimentos

Planilha de perfil de investidor: invista com clareza

A planilha de perfil de investidor ajuda a organizar respostas sobre objetivos, horizonte de aplicação, tolerância a oscilações e necessidade de liquidez. Com pontuação, comparação de cenários e carteira atual, ela apoia decisões…

Abrir planilha

Planilha de previdência PGBL e VGBL: compare cenários
Investimentos

Planilha de previdência PGBL e VGBL: compare cenários

A planilha de previdência PGBL e VGBL ajuda a registrar contribuições, acompanhar a evolução estimada do patrimônio e comparar impactos tributários em diferentes cenários. Preencha seus dados, simule resgates e tenha uma visão…

Abrir planilha

Planilha de CRI e CRA: controle rendimentos e vencimentos
Investimentos

Planilha de CRI e CRA: controle rendimentos e vencimentos

A planilha de CRI e CRA ajuda a centralizar dados de cada aplicação, como emissor, valor investido, indexador, taxa, pagamentos e vencimento. Com cálculos automáticos de posição, rendimentos e participação por ativo, você ganha…

Abrir planilha

Planilha de debêntures: controle juros e vencimentos
Investimentos

Planilha de debêntures: controle juros e vencimentos

A planilha de debêntures ajuda a registrar cada aplicação, projetar juros, acompanhar amortizações e visualizar vencimentos. Com campos de posição, fluxo previsto e indicadores, ela simplifica o controle da renda fixa e apoia…

Abrir planilha